Eu e os video games, os video games e eu.

Comecei escrevendo um pequeno texto listando quais consoles eu possuía. Depois comecei a explicar um pouco sobre cada um deles. Daqui a pouco estava colocando detalhes de acontecimentos da minha vida enquanto jogava… Aí a coisa tomou uma dimensão totalmente diferente e bem maior do que o planejado inicialmente. Essa lista iria para uma rede social nova de games, ia ser quase que uma apresentação pessoal e, bem… virou esse textão. Fica então para a posteridade um (não tão) pequeno relato de como eu cresci jogando video game. Seja bem vindo, sente-se, pegue o controle e bora jogar! 😉

Desde a primeira vez que meu pai chegou em casa com um Master System (lá para meados de 1991~1992), me apaixonei por esse mundo colorido, tão fantasioso e tão real ao mesmo tempo que traz à gente desde a fuga da realidade até a apreciação do hobby como forma de arte.

Desde então tivemos lá em casa:

  • Master System
     

A introdução a esse universo maravilhoso. Na verdade meu pai comprou pra ele, né? Mas a desculpa era que ‘É pros meninos!’. Eu era meio pequeno ainda (uns 3~4 anos), mas aquilo foi o primeiro passo para uma paixão para a vida inteira.

Algumas lembranças muito fortes que tenho é de jogar/assistir papai jogar um jogo dos Flinstones, uma fase meio boba com Fred pintando a parede enquanto Pepita fica fugindo do berço (sério, olha que parada sem futuro kkkk):

Outra lembrança fortíssima que tenho é de que ele costumava alugar Shinobi em uma locadora próxima lá de casa, a primeira fase com aquelas fotos de Marilyn Monroe são muito muito vivas na minha lembrança.

E o maior nemesis da minha vida ~gamer~, o desgraçado que me traumatizou e, ao mesmo tempo, fez eu me apaixonar por shoot’em ups (os famosos jogos de navinha), Thunder Blade. Até hoje pego nele de vez em quando mas, caramba, não consigo finalizar. Ô infeliz difícil. Algumas vezes papai conseguiu emprestado (ou alugado, não sei) os óculos 3D do Master para jogá-lo, principalmente nas fases com perspectiva 3D do jogo (malditas cavernas, difíceis demais), papai sempre foi vidrado em Thunder Blade.

Olha a cara dessa alma na véspera do aniversário de 4 anos armado e perigoso com a Light Phaser do Master System. Esse é o registro mais antigo da minha relação com video games. (07/03/1992, Acervo pessoal)
Ah como era bom jogar com esse monstro! (Fonte)

Tínhamos um controle “Tipo Arcade Profissional” que fazia a jogatina do Thunder Blade ser elevada a um nível bem mais alto, era coisa “tipo profissional” como o nome do controle já dizia ser. A gente se sentia muito fantástico jogando com ele ao invés do controle tradicional do Master System que era minúsculo quando comparado com toda a imponência do “controlão”. 

Infelizmente, em alguma das faxinas lá de casa, a gente acabou dando esse controle e, após muitos apelos meus, ficando apenas com o console, os cartuchos (Thunder Blade, Jogos de Verão e Super Vôlei).

Aproximadamente 20 anos depois de ficar parado dentro de uma caixa de sapato, o velho guerreiro foi ressuscitado. Ele estava sem a fonte e, junto com um amigo meu (André), comprei a fonte na internet (depois de muito procurar por aqui) e, em 16/06/2019, coloquei ele novamente na tomada. A primeira tentativa veio acompanhada de um susto: ele projetou uma tela de erro. Gelei. Pensei, honestamente, que seria o último suspiro dele.

Na segunda tentativa ele me presenteou com o que está registrado em vídeo:

Hoje ainda tenho ele sendo usado de vez em quando pra levar umas surras em Thunder Blade e Shinobi (cartucho emprestado de André que também tem o Master II dele funcionando e vários cartuchos completinhos com caixa e manual).

  • Super Nintendo fat

Enquanto o Master foi a introdução ao mundo dos games, o SNES foi quando me apaixonei por eles.

Com o Master encostado há algum tempo sem fonte, estávamos (eu e meu irmão – papai já havia perdido o interesse por video games e, se não me engano, já não morava mais conosco) no limbo gamístico por um tempo. Acredito que por influência de propagandas e de colegas na escola, eu era louco por um Super Nintendo. Vivia pedindo mas o console era bastante caro: custava na faixa dos R$200 em uma época que o salário mínimo era entre R$100 e R$120. Ou seja, não havia lógica alguma, em uma situação financeira não super folgada como era lá em casa, dar 2 salários mínimos (ou mais, pois não lembro exatamente quanto custava o bicho lá pra 1996~97).

Daniel (meu irmão) e eu no meu aniversário de 10 anos com o SNES ali na mesa de centro com a fita de Super Mario World encaixada e, se me lembro bem, uma fita de futebol (provavelmente Ronaldinho Soccer) ao lado dele. Esse é o segundo e último registro da minha infância com video games. Conselho aos pais: tirem fotos dos seus filhos brincando, fazendo coisas que pareçam seus hobbies. (08/03/1998, Acervo pessoal)

Foi quando mamãe teve uma ideia fantástica: no meu aniversário (acho que de 8 anos) iria falar com os convidados da festinha (aqueeeelas festinhas de aniversário dos anos 90 que todo mundo curtia! kkkkk) para que dessem alguma quantia em dinheiro ao invés de levar presentes para que, no final de tudo, pudéssemos comprar o tão sonhado Super Nintendo.

PALMAS PARA MAMÃE!

Até hoje ela fala que um tio meu, na hora de dar o dinheiro, perguntou todo com pinta de quem iria pagar o presente sozinho:

Quanto é esse negócio que ele tá querendo?

Quando mamãe falou do preço, ele baixou a bola e deu sua cota igual a todo mundo estava dando (acho que ~R$20). Rimos dessa história sempre que lembramos.

Lembro-me bem quando mamãe descobriu uma loja que vendia fitas piratas (MUITO mais em conta que as originais na época), lá no começo da Av. Epitácio Pessoa, a famosa Eli Games. Quando ela falou que estávamos saindo para comprar uma fita como presente de aniversário, caramba, haja alegria. Naquela época tínhamos apenas Super Mario World (que veio junto com o console) e Kirby’s Avalanche (uma delícia de “clone” de Puyo Puyo da Nintendo, mas que já tinha dado o que tinha que dar) e finalmente teríamos um jogo novo. Fomos lá, naquela loja meio escondida, próxima à antiga Livraria Legal, e a fita escolhida foi Alladin. Um belíssimo jogo, gráficos maravilhosos, jogabilidade super fluida, jogo Disney, tudo lindo para a molecada. Chegando em casa, com coisa de 45 a 50min, o jogo estava finalizado. Para dois moleques que adoravam video game, testados em zerar Super Mario World de olhos vendados, aquilo Alladin foi fácil demais. Nos frustramos, mas não se podia fazer nada, né?

A compra de um cartucho novo nos aniversários dos dois virou tradição. Como ficamos alguns anos com o SNES (e também ganhávamos em algumas outras ocasiões aleatórias – não só em aniversários) acumulamos muitos clássicos: Alladin, Knights of the Round, Rock’n Roll Racing, Samurai Shodown, Illusion of Gaia, Maui Mallard in Cold Shadow, Batman Returns, Phantom 2040, Pitfall: The Mayan Adventure, Jurassik Park II: The Chaos Continues… Até conversei com meu irmão aqui enquanto escrevia, mas não conseguimos lembrar o restante.

Lembro muito do quão intensa foi minha experiência jogando a obra de arte masterpiece suprema da Square: Final Fantasy III (VI). Jogo fantástico que me fez aprender bastante inglês e que teve um episódio que sempre me lembrarei: no dia 11/09/2001, o fatídico dia do atentado às Torres Gêmeas, eu estava jogando FFIII tranquilamente (deveria estar estudando, afinal, era meio de ano letivo, né?) quando meu pai me ligou: Meu filho, está fazendo o que? Corra e ligue a tv pois está acontecendo uma coisa que estará nos livros de história.

Uma imagem com som. 😛 (imagem)

A TV já estava ligada, mudei de canal, olhei tudo acontecendo por uns 2 minutos… e voltei para o jogo. Afinal de contas, se estaria nos livros de história, não precisava eu perder a tarde de jogo (que, reforçando, deveria ser de estudo) assistindo noticiário, não é mesmo? Bem… pelo menos era assim que Raphael com 13 anos pensava. xD

Batman Returns, um beat’em up muito bom, single player (contrariando o normal dos jogos de briga de rua da época), foi encontrado pelo meu irmão… jogado no lixo. Calma! Daniel não estava catando lixo, pelo amor de Deus! Ele estava brincando no térreo do prédio em que morávamos e viu aquele plástico num formato familiar no topo de um dos baldes de lixo do prédio e foi curioso o suficiente (amém!) para ir ver o que era. Chegando em casa, testou e estava tudo funcionando. Como alguém jogou uma delícia de jogo daquele no lixo, ó Deus?!

Illusion of Gaia, uma beleza de jogo que, hoje, sei que faz parte de uma trilogia extraoficial da desenvolvedora Quintet (junto com Soul Blaze e Terranigma, ambos também no SNES) é mais um dos jogos com história comigo. Um colega da escola havia pego emprestado a fita com outro colega (nomes em sigilo para evitar…) e ME VENDEU essa fita por… … R$5. Original. Cinco reais. Essa é a história. Fui receptador de um produto roubado a um preço que, até para a época, foi surrealmente abaixo do que o produto realmente valia. xD

Spider-Man Maximum Carnage era um jogo de briga de rua que éramos doidos pra ter só de ouvir falar (nunca havíamos jogado nem sequer visto nada. Sabíamos que era um jogo de briga de rua de Homem Aranha que “ia de dois”). Certo dia fomos à nossa querida Eli Games, pegamos a fita e fomos felizes da vida para casa jogar. Chegando em casa, o cartucho que tinha a label e veio na caixa do Maximum Carnage era, na verdade, o Separation Anxiety (também do cabeça de teia). Ficamos com raiva, mas jogos piratinhas tinham disso. Jogamos, zeramos o jogo lá pra 1h e pouco depois e… voltamos à loja para trocar o jogo, pois veio errado. Ué… veio errado, né? xD

Não me lembro em qual jogo trocamos, mas foi isso. Nem dissemos à minha mãe sobre isso, senão era certo que ela não iria conosco trocar o jogo.

Algum tempo depois o nosso querido SNES já estava meio encostado e a vontade de ter o Playstation estava grande e acabamos vendendo o pacote todo (o Super, as fitas e os controles) para comprar o próximo console. Algum tempo depois até me arrependi, mas se não fosse essa venda, não teria o tão sonhado PS.

Porém a minha história com o console que mais gosto até hoje não acaba aí. Há alguns anos (precisamente em 2014), um amigo que fiz no trabalho (Felipe Araújo) me DEU um SNES que ele encontrou na garagem da casa da sua mãe. Imaginem a alegria quando cheguei no trabalho e ele disse: “Ei, deixei um negócio pra tu lá na sala” e eu me deparo com um SNES nesse estado:

Já imaginou ganhar um bicho desse, nesse estado, em pleno 2014 (02 de maio)? (Acervo pessoal)

Dentro da caixa havia um recorte de jornal de 1997, ou seja, provavelmente ele estava guardado há coisa de 16~17 anos. Sei que a alegria foi igual (ou quem sabe até maior) do que a da primeira vez em que ganhamos um.

Insisti em comprá-lo dele, falei quanto aquela joia valia naquele estado, mas ele quis dar o presente mesmo e aceitou que eu pagasse “uma cerveja” pra ele. No final das contas eu “comprei” um SNES na caixa, em pleno 2014, em estado de novo, por umas 4 garrafas de Antartica Original de 600ml. Valeu, Felipe! ❤

Hoje esse SNES é um dos consoles que estão em minha coleção, também é usado com bastante frequência (assim como o Master System) e é um dos itens mais queridos que tenho hoje. 🙂

  • Playstation (PsOne)

O console mais lindo que já vi na vida. Sério, vocês já prestaram atenção no quão lindo é o PS One? ❤

O gigante da Sony foi um dos que mais joguei na vida (104 jogos registrados como Joguei no Alvanista) e continuo com vários que quero jogar. Recentemente adquiri um Playstation Classic que, além de ser muito bonitinho (esses mini consoles são muito), o destrave com AutoBleem faz dele uma máquina muito melhor do que o que foi vendido. Sem dúvida nenhuma esse backlog que tenho do PS1 será todo sanado nessa belezinha.

Outubro/2019 essa coisa linda chegou lá em casa vinda direto do Paraguai (naquele precinho!) trazida pelo meu irmão. 🙂 (Acervo pessoal)

Naquela época, passei na frente de uma loja de games aqui na cidade (G&B Games no Shopping Sul) lembro de ter falado uma frase que eu repetiria todas as vezes em que uma geração nova de consoles fosse lançada nos anos seguintes:

Gráfico perfeito, não tem como ficar mais realista que isso.

Me lembro como se fosse agora: duas tvs ligadas, cada uma com um Playstation plugado nelas. Elas estavam passando algum Winning Eleven e na outra, 102 Dalmatians. Pois é… no alto dos meus 9~10 anos, eu achava que isso aqui era o auge dos gráficos de video games:

A lembrança é tão viva que sei que o futebol estava na tv da esquerda e os dálmatas na da direita. Aquilo era o sonho de toda criança que gostava de video games na época: sair de jogos 2D (que, na cabeça da criança, eram lixo perto de jogos 3D, né? Hoje em dia normalmente aprecio bem mais um 2D bem feito do que um 3D imersivo. Juro!) para o futuro, para aqueles ambientes super realistas. 

No dia em que meu pai apareceu lá em casa dizendo que um amigo estava vendendo um Playstation que havia comprado há somente 3 meses, lembro que enlouquecemos. Chegou então o console, depois da venda do nosso amado SNES com seus ~20 cartuchos (Deus, dói só de escrever isso kkkk), compramos o todo poderoso Playstation… que veio com Tekken 2.

Ainda hoje me dá agonia só de ver! kkkkk (Fonte)

Eu e meu irmão sempre adoramos jogos de aventura, ação… Odiávamos jogos de esporte, de luta, algo que “não tinha história”. Tekken, em especial, víamos no fliperama (no mesmo primeiro andar do Shopping Sul) e achávamos horrível! Aqueles gráficos estranhos, personagens pontiagudos, estilo totalmente diferente dos jogos de luta 3D. 

E—nosso—PS1—veio—com—Tekken—2.

E ficamos só com ele por algum tempo, alguns jogos emprestados dos colegas, mas nosso MESMO, só Tekken 2. Jogamos tanto aquilo (por falta de opção) que, hoje, Tekken é um dos únicos jogos de luta que eu gosto de jogar, de verdade. Ironias do destino, né?

Um dos momentos mais marcantes na minha vida com o Playstation foi um que acredito que muitos tenham compartilhado de maneira semelhante: o maldito corredor dos cachorros em Resident Evil 1 (no meu caso, na versão Director’s Cut Dual Shock Version).
Um colega da escola com quem eu conversava sobre jogos sempre duvidava quando eu falava que achava tal jogo fácil ou que tinha zerado outro jogo. O cara não manjava nada de jogo e achava que todo mundo também era ruim como ele e vinha com essa de duvidar. Um belo dia ele falou que duvidava que eu zerasse o primeiro Resident Evil e me emprestou o CD. Aceitei o desafio e, claro, consegui finalizar. O dia em que comecei a jogar foi algum feriado que eu estava sozinho em casa durante o final de semana inteiro. Acordei super cedo, liguei o video game e comecei a brincadeira.

Ah, esse primeiro zumbi… (Imagem)

Agora chega a parte da conversa de pescador, do acredite se quiser: Na hora em que cheguei no fatídico momento dos infelizes dos cachorros pularem a janela e dar o jump scare, praticamente no mesmo segundo 3 coisas aconteceram:
– Meu celular tocou (saudoso Nokia 3310);
– A campainha tocou (amigo meu que estava indo direto lá em casa jogar comigo nesse fds); e
– E os desgraçados dos cachorros pularam no jogo, fazendo o controle vibrar.
A sensação de quase morte em mim foi absurda, quase tive um troço. E eu JURO que é verdade esse conjunto de acontecimentos. Juro!

Eu já fiquei com medo só de olhar
para a capa do jogo(imagem)

Outra lembrança forte que tenho é de outro horror survival: o macabro Galerians. Esse mesmo amigo que foi lá em casa para jogar comigo e quase me matou do coração na história aí em cima de Resident Evil, estava lá em casa enquanto eu jogava Galerians. No meu quarto, que era onde ficava o video game, tinha uma poltrona ao lado da cama. Eu estava sentado na cama jogando e meu amigo esparramado nessa poltrona.
Não lembro bem em qual parte do jogo foi, mas acredito que na mansão algum inimigo caiu do teto em um jump scare que, rapaz, foi outro momento de quase morte. Eu derrubei o controle no susto e meu amigo caiu da poltrona. Até hoje, mesmo não conversando tanto com ele, quando se fala desse susto, ele se benze.

Mais uma lembrança que até hoje dou risada quando lembro é sobre Syphon Filter 3. Aquele amigo ali que sempre duvidava quando eu falava sobre ter zerado os jogos surgiu novamente. Depois de devolver o Revil dele, em uma revolta grande e me chamando de mentiroso, ele me desafiou novamente:

Quero ver você passar da fase da sniper de Syphon Filter 3! Ali eu duvido!

Gelei… Primeiro que sempre fui bem ruim em jogos de tiro (e ainda sou). Segundo que o moleque não tinha o jogo para me emprestar. Porém, Syphon Filter era uma franquia que me apetecia bastante, havia jogado e finalizado os dois primeiros e sequer sabia da existência do terceiro. Por sorte meu aniversário estava bem perto e acabei pedindo à minha mãe o jogo de presente e o ganhei.
Bem próximo daquela situação, eu havia “descoberto” como colocar o Playstation no aparelho de som lá de casa e estava esperando uma situação, digamos, favorável para este uso. Jogo de tiro… explosão… aniversariante do dia… mais do que favorável! 🙂

Enquanto minha mãe estava na cozinha com Teda (Marleide, grande figura, minha segunda mãe, a pessoa que trabalha lá na casa da minha mãe desde que meu irmão tinha 9 meses – aproximadamente 30 anos) preparando o bolo, os pastéis e os cachorros-quentes (lanche padrão dos aniversários lá de casa. Senti o gosto na boca só de lembrar!), comecei a organizar silenciosamente o aparelho de som no meu quarto. Com o aparato todo pronto, liguei o Playstation, coloquei o volume do som super baixo e comecei a jogar.
Para minha surpresa, a fase suuuuper difícil que meu colega havia me desafiado era justamente a primeira (!!!) e passei com tranquilidade. Em um dado momento, meu personagem estava equipado com uma escopeta e encontrei uma vidraça no cenário. Pois é… o volume do som nessa hora foi para o máximo e disparei o tiro na vidraça. O susto foi grande, a gritaria também e só escapei da surra porque era meu aniversário.

Depois de bastante tempo, de muito ligar o video game virado de cabeça pra baixo, de muito Final Fantasy, de muito… Tekken, o nosso amado console foi ficando de lado, o interesse diminuindo quando, em 2009, os preços do sucessor estava começando a ficar acessível aos nossos bolsos, fomos em busca do fantástico Playstation 2.

  • Playstation 2 Slim

O ciclo de vender o antigo para comprar um novo foi quebrado de certa maneira nessa geração. Conversamos em casa que queríamos comprar o PS2 (mais eu do que meu irmão que, a essa altura, já perdia um pouco do interesse por video games) e chegou-se a um acordo:

Daríamos o nosso PsOne para nossa irmã pequena (filha do meu pai, morava já com ele, não em nossa casa) e receberíamos o real para o novo video game. Com uma certa dor no coração, mas na tranquilidade de pegar um novo console, aceitamos.

Em setembro de 2009, aproveitando uma promoção de Dia das Crianças da saudosa Teacher Games (localizada nas proximidades da Lagoa aqui em João Pessoa), compramos nosso amado fantástico todo poderoso Playstation 2. \o/

Lembro que compramos em uma sexta-feira, o primeiro jogo que joguei nele foi o incontestável God of War. Foi absurdo assistir e jogar aquele jogo de ares cinematográficos, aquela luta com a Hidra logo no final do primeiro estágio… De tirar o fôlego e, mais uma vez, me fez proferir a velha frase batida:

Gráfico perfeito, não tem como ficar mais realista que isso.

E, como sabemos, tinha, teve e ainda tem em pleno 2020, né?

Nesse dia eu iria para o interior à noite, mas tinha a opção de não ir. Até hoje uso essa situação como argumento caso/quando alguém vem com algum papo de me chamar de viciado: eu não fiquei em casa mergulhado naquele jogo absurdo de bom e fui para o interior. Com o coração na mão, com o pensamento no PS2, mas fui. Não, pessoa que me chama de viciado, eu não sou viciado. 😉

God of War, diga-se de passagem, cheguei em um determinado ponto do jogo (que não lembro qual era) que o disco (pirata) deu problema e não passou daquilo. Encostei o jogo e, por muito tempo, não voltei à franquia. Quando André (um grande amigo meu até hoje) comprou o PS2 dele e me falou como era fantástico o God of War 2. Comentei que havia encostado e ele insistiu que eu terminasse o primeiro para poder jogar o segundo. O fiz e, de fato, que jogos fantásticos, não é mesmo? Caso você, por algum motivo, nunca tenha jogado, fica o conselho: JOGUE. Dificilmente você se arrependerá de jogar esse que foi um dos grandes jogos da geração, divisor de águas na indústria em muitos aspectos.

Outra franquia fantástica (que geração foi essa, hein? Inúmeras franquias atuais começaram nela e perduram até hoje!) que me apeguei muito foi o Devil May Cry. Não sou daqueles fãs que sabem da história de cor e salteado, nem dos “pro players” que fazem combos infinitos e super detalhados, mas gosto bastante. Gosto o suficiente para achar que o nome do personagem principal é legal o suficiente para, caso um dia tenha um filho, o nomearei Dante. Minha esposa gosta da ideia e concorda… pelo menos hoje, né? Não sei quando nascer. 😛

28/12/2014 – O registro mais antigo que encontrei aqui do meu PS2. De um dia de jogatina + cervejada com o amigo André Farias na casa da minha mãe – onde eu morava na época. (Acervo Pessoal)

No final das contas hoje, já com mais de 10 anos de uso, meu Playstation 2 é um dos consoles que mais jogo. Normalmente venho alternando entre ele e o PS4.

Vida longa ao PS2 e à sua imensa e maravilhosa biblioteca! o/

  • PC ~gamer~

Super acostumado com a facilidade e o baixo custo que a pirataria proporcionou no Playstation 2, fiquei sem querer (querendo) entrar no Playstation 3/Xbox 360. Não ia ter como me sustentar de jogos originais (ou talvez até tivesse, sei lá) e acabei ficando de fora da geração por escolha própria (meio que forçado a, mas…).

Em 2011 trabalhei junto com meu pai durante 6 meses e levantei uma grana boa o suficiente para mudar o “miolo” do meu PC cansadinho para que ele tivesse potência o suficiente para dar conta dos jogos da geração atual na época (que era PS3/360). Fiquei então na dúvida entre:

  • Montar o PC e ter a possibilidade de jogos baratos na Steam + pirataria muito fácil; ou
  • Comprar um console da geração + jogos originais.

Como a consciência que habitava em mim não conseguiu vencer a vontade de jogar tudo quanto fosse jogo da geração, comprei o PC. \o/

A configuração dele foi tão boa na época que segurou a onda muito bem comigo até 2016, quando fiz o upgrade que me deixou nas configurações atuais (que também são suficientes pra todar qualquer jogo que sai hoje em dia – nem que seja nas configurações mínimas).

O PC foi minha plataforma principal de jogos do meio de 2011 até o final de 2018, sendo tranquilamente a plataforma em que mais joguei (169 registrados no meu perfil no Alvanista até então, sem contar o que usei ele em emuladores – Wii. Game Cube, DS, GBA, SNES, NES, Mega Drive, PSP, etc. – que não contam nesse somatório) e que passei mais tempo tendo como principal (~7 anos).

Pra reforçar o que falei no trecho do Playstation 2, o jogo que escolhi para ser a inauguração da minha nova plataforma não poderia ser outro: Devil May Cry 4. E, rapaz, que beleza de jogo. 🙂

Foi usando o PC que em 2009 criei um blog (o SemArrudeio) e, por meio dele, em 2012 passei a fazer vídeo análises de jogos que eu curtia e divulgando no Youtube (no canal que, hoje, transformei no Sala de Video Game). Conheci uma turma legal que gostou dos meus vídeos que eu fazia lá (pessoal do grupo Checkpoint do Facebook), mudei um pouco meu jeito de apreciar jogos depois de me assistir falando sobre eles (mudei de maneira crítica ao que eu fazia antes, diga-se de passagem) e acabei aprendendo bastante. Em julho de 2013 coloquei o canal, que já estava bem parado, em stand by e assim está até hoje. Com planos de voltar, mas com uma pegada mais pessoal, assim como esse blog: quase que como um registro meu, dos meus gostos para a posteridade.

Um grande divisor de águas na minha maneira de apreciar video games aconteceu no meu período com o PC como plataforma principal e o nome desse evento é Dark Souls.

Uma das últimas portas que abrimos no jogo, já no finalzinho dele. Acho que nunca fiquei tão triste de terminar um jogo. (Acerto pessoal – Screenshot do jogo Dark Souls Prepare to Die Edition – Steam)

O ritmo que Dark Souls impõe no jogador que aprende e aprecia o jogo é muito diferenciado. O jogo exige atenção e paciência na sua jogabilidade, no trato com o andamento do jogo. Com isso eu acabei mergulhando no universo do jogo de um jeito tão profundo que mudou também o meu ritmo quando começo um jogo.

Talvez o avançar do tempo, a experiência de vida (que alguém de 30 anos acumula… que não é tanta, reconheço), a maneira de encarar as coisas… talvez esses fatores aliados ao ritmo de Dark Souls me fizeram mudar e moldar meu trato com video games.

Desde então eu passei a olhar com mais carinho para todos os jogos que me meto, vejo detalhes mínimos de cenários que normalmente não veria. Tento enxergar o esmero do desenvolvedor em detalhes de jogabilidade, de cenários, iluminação, personagens, diálogos… Não virei um expert em analisar e entender padrões técnicos, pelo contrário: continuo bem alheio a isso e não vou saber analisar um roteiro, uma mecânica de maneira mais avançada e técnica. Continuo sendo APENAS um jogador sem conhecimentos técnicos sobre video games que quer exclusivamente usufruir do entretenimento que os jogos proporcionam.

Hoje (exatamente dia 18/02/2020) continuo com meu PC, mas na casa da minha mãe. Ainda não consegui montar um espaço para ele no meu apartamento e também não comprei ainda a TV em que ele será utilizado (tá faltando real kkkk) mas espero que isso mude em breve.

Vida longa à PC Master Race! o/

  • Portáteis

Possuo hoje um Nintendo DS Lite e um PSP 3000. Não tenho muitas histórias marcantes com eles, por isso juntei os dois em um tópico só. O DS eu já tinha jogado praticamente tudo que tinha vontade no emulador antes de comprá-lo. Não sou fã de jogos com a experiência de touch, experimentei alguns mas acabei não me atraindo tanto.

O que eu queria mesmo era um portátil e o PSP andava muito caro no mercado de usados. Sabendo que havia possibilidade de emular outros consoles no DS e vendo os preços dele bons entre os usados, comecei a caçar e fazer propostas quase que desrespeitosas aos anunciantes que encontrei pela internet (o cara anunciava por X e eu oferecia metade do valor, por exemplo). Até que um deles aceitou um desses insultos (que ainda tirei 10 conto porque estava sem a canetinha stylus kkkk) e acabei pegando meu DS Lite. Ele é bem sambadinho, com o L sem funcionar perfeitamente e somente um dos alto falantes funcionando. Mas, honestamente, não me atrapalhou nas horas e horas de viagens em que ele me salvou do tédio e monotonia.

O PSP era uma vontade antiga. Vivia pesquisando sobre emuladores dele para PC e sempre acabava com programas que não funcionavam bem no meu computador. No dia em que, finalmente, encontrei um 100% funcional, comentei com um amigo meu que tinha um PSP (Caio) que estava jogando. Ele me solta uma beleza de uma proposta:

Me repassar o PSP dele pelo preço que ele havia pago na época em que comprou (que estava abaixo do que o pessoal andava cobrando e cabia bem no meu bolso).

Aceitei sem nem pensar. Finalmente tinha meu tão desejado PSP, com uma biblioteca bem legal (que não tem taaantos títulos que me atraem, mas o suficiente para matar minha vontade) e um hardware potente o suficiente para me entregar emulação de qualidade em consoles antigos. E, caramba, que beleza de portátil. Nas minhas viagens à cidade da família da minha esposa, o PSP é sempre um forte companheiro nas horas de falta do que fazer.

  • Playstation 4 Slim

Bem… chegamos aos tempos atuais e, pela primeira vez, à geração atual.

E quando digo isso, falo sobre eu estar com um console novo na época em que ele ainda está, digamos, vigente. Se for observar, a gente consegue ver que, sempre que eu comprei um video game novo, já se estava na era do seu sucessor.

Quando o Master System chegou lá em casa, o Mega Drive já estava botando a SEGA no páreo contra a Nintendo. Comprei o SNES, já tinha N64 nas prateleiras com seus gráficos em 3D. Comprei o PS1, já tinha PS2 na jogada. Comprei o PC “atual” em 2011 para jogar um jogo de 2008.

Dessa vez a vontade de comprar um PS4 estava muito forte e, sabendo que eu tinha como comprar, pagar e, dessa vez, bancar jogos originais pra poder suprir as minhas vontades de jogar… finalmente a hora tinha chegado.

No finalzinho de 2018, fiz a compra. No começo de dezembro 2018, ele chegou. Acompanhado de Horizon Zero Dawn Complete Edition, Shadow of The Colossus e God of War.

11/12/2018 – Essa foto foi a que tirei comportado. As que eu fiz a cara do “Nintendo sixty four kid” vou deixar só pra meu arquivo mesmo. xD (Acervo pessoal)

Escolhi para ser meu primeiro jogo nele o Horizon Zero Dawn e, meus caros, que jogo maravilhoso. Um dos mundos mais bonitos e vivos que já vi em um jogo que me deu a certeza de que eu não poderia ter começado melhor minha jornada nesse console que tanto quis ter.

Primeira ligada no PS4, já com o jogo escolhido inserido. A alegria de ver essa tela foi GIGANTE. (Acervo pessoal)

Com o mercado de usados bastante aquecido e eu de olho sempre nos grupos de venda em redes sociais e OLX da vida, estou conseguindo montar uma biblioteca bem generosa de jogos de PS4. Tão generosa ao ponto de precisar me conter, pois já vou com MUITO mais jogos do que eu tenho tempo pra jogar. Males da vida adulta, né? ¯\_(ツ)_/¯

Hoje o PS4 é a minha plataforma principal de jogos. Como no final desse ano acontecerá o lançamento do seu sucessor, o PS5, eu resolvi que diminuirei o tempo dedicado aos outros consoles/plataformas e aproveitarei mais ele, já que esse meu tempo “na geração” está chegando ao fim e não tenho planos de me meter com a próxima nem tão cedo.

Wii

Pois é… Comprei um Wii depois de ter comprado o PS4. Já havia jogado boa parte dos jogos de Wii que eu tinha desejo no maravilhoso emulador Dolphin. Aí você se perguntar: se tu já jogou, pra que diabos tu quer um Wii? Só pra colecionar?

Meu (abandonado) amigo Wii. 🙂 (Acervo pessoal)

E eu te respondo com o nome de um jogo:

The Legend of Zelda: Skyward Sword.

Tentei algumas vezes usar um wiimote no PC no Dolphin mas sempre sem sucesso e acabei desistindo. Até comprei Wiimotes, sensor bar mas nada de funcionar. Quando vi que os preços dos Wii usados estavam razoáveis, comecei a caçar e finalmente consegui um em um preço aceitável.

Desde que comprei (que acho que foi em 2019) sequer liguei ele lá em casa. Só sei que ele está funcionando pois testei na casa do vendedor antes de fechar a compra. A fonte de alimentação dele é 110v e eu ainda não criei coragem de comprar um transformador para usá-lo. Mas tenha calma, amigo Wii. Calma que sua hora vai chegar. 🙂

  • Sala de Video Game

Em 2017 comecei a procurar apartamento para comprar. Já estava namorando há 3 anos e pouco, já estávamos com intenção de nos casar e com algum dinheiro para o apartamento. A única coisa que eu queria nele era que fosse de 3 quartos. Um do casal, um de visita/futura cria e um para que eu montasse minha tão sonhada Sala de Video Game.

Normalmente esse tipo de cômodo se chama de quarto de video game (gaming room), né? Eu chamo de sala pelo fato de que, quando era criança e morava em uma casa, um dos quartos era a “sala de tv” (essa onde eu estava na foto com a Light Phaser no início do post), onde tínhamos a tv, o video game, um aparelho de som, uma estante grande, etc. O setup típico de uma sala/quarto do tipo nos anos 90. No início eu estava chamando meu canto de sala de tv, meio que em “homenagem” a essa que foi onde eu joguei video game pela primeira vez na vida. Com o tempo, acabei começando a chamar de Sala de Video Game e acabou ficando. 🙂

No processo da montagem das coisas do meu apartamento (e da SdVG), fui à casa de praia de um tio meu onde costumávamos passar o verão. Casa de praia vocês sabem, né? Normalmente é o lugar onde vão parar os móveis e eletrodomésticos antigos e que são trocados por novos nas casas principais dos donos da casa. No caso da casa do meu tio, muitos móveis antigos da casa da minha mãe foram parar lá depois que nos mudamos para o atual apartamento em que ela mora. E uma das coisas que foi parar nessa casa de praia foi o sofá da sala de tv. O sofá onde, pela primeira vez na minha vida, eu joguei video game, no meu querido Master System. Imediatamente liguei para meu tio para tratar da reintegração de posse daquele sofá que foi atendida de imediato:

“O sofá sempre foi seu, pode levar”.

Sofá reformado. 🙂 (Acerto pessoal)

Bem caidinho, precisando de uma manutenção daquelas, meti a mão na massa e reformei o bicho: troquei os “cadarços” dele, lixei tudo e envernizei. Minha mãe me deu de presente novas almofadas e lá está um pedaço da minha história com os video games se fazendo presente na continuação dessa história. Quem sabe, se um dia tiver filh@ e essa figura curtir video games, não será nesse mesmo sofá, no mesmo Master System que ele/ela terá o seu primeiro contato com esse mundo fantástico dos video games? 🙂

Também fiz um rack com dois pallets, serrados na rua, lixados, envernizados e montados por mim. Como o objetivo dele é ser provisório (futuramente contratarei alguém para fazer um rack planejado que atenda às necessidades da coleção), a coisa é BEM rústica mesmo, mas tem um visual até interessante.

Meu humilde cantinho. ❤ (Acervo pessoal)

No dia 26 de maio de 2018, em um fim de semana que estava sozinho em casa, fiz a inauguração “solene” da SdVG. O jogo escolhido foi um que eu nunca havia jogado antes: Super Castlevania IV. Na época do meu primeiro SNES, eu já havia visto o jogo mas o visual não tinha me agradado e acabei não me interessando. Já depois de adulto, com uma visão e o gosto bem diferente para o hobby, me interessei muito por ele. Comprei um exemplar PRA LÁ de piratinha direto do AliExpress e guardei para uma ocasião especial.

A ocasião especial chegou e eu inaugurei meu canto dos sonhos com o console que me fez me apaixonar pelos video games, com um jogo inédito para mim de uma franquia que tenho como uma das minhas favoritas. Não tinha sido a primeira vez em que eu havia jogado na sala pois uns dias antes eu tinha instalado meu Master System por lá e dado uma testada, mas nada muito sério.

Print do vídeo que fiz (com o celular pendurado na janela kkkk) no dia 26/05/2018, a inauguração solene da Sala de Video Game (Acervo pessoal)

E chegamos então no final desse texto que começou apenas como uma lista de consoles que eu tinha e acabou virando esse “livro” enorme e cheio de lembranças.

Essa é a minha história com os video games, esse hobby tão querido e que faz parte de tantos momentos da minha vida. Espero que esse meu gosto pela arte dos games perdure por muito e muito tempo e que eu consiga, um dia, jogar tudo que eu tenho vontade de jogar. 🙂

Então, já que você está por aqui…
sente,
pegue um controle
e vamos jogar. 🙂

Seja bem vindo à Sala de Video Game.

Publicado por Raphael Carvalho

Só mais um cara afim de expor suas ideias e gostos internet afora.

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